Atividades de Apoio na Logística

11.04.2017

Bom dia a todos !!

 

Em nosso Café com Logística No. 03, estaremos tratando das Atividades de Apoio na Logística;

 

Recentemente escrevemos sobre os conceitos de  logística onde procuramos destacar que a função primordial da logística é colocar o produto certo, no local correto, no momento adequado ao menor preço possível, desde as fontes de matéria prima até o consumidor final. (veja o artigo )

 

Sabemos que as atividades de Transportes, Manutenção de estoques e Processamento de pedidos são as atividades-chave e por isso, consideradas atividades primárias. Juntas, estas atividades formam o ciclo crítico da logística e por isso devemos ter muita atenção a elas. Estas atividades foram descritas em artigo publicado aqui no blog.

 

Entretanto, para conseguir um equilíbrio entre nível de serviço prestado aos clientes e custos logísticos, faz-se necessário que o profissional de logístico estude, analise  e busque melhorias, nas atividades primárias, e também nas atividades que dão apoio a estas.

 

Já que as atividades primárias foram tratadas em um post recente,  hoje, nos dedicamos a escrever sobre as atividades de apoio que são: Armazenagem, Manuseio, Embalagem, Obtenção, Programação do produto e Manutenção da Informação.

 

1- Armazenagem

Ballou (1993) refere-se à armazenagem como a administração do espaço necessário para manter os estoques. Podemos olhar para a armazenagem sob o ponto de vista operacional, que consiste em avaliar os processos de estocagem (guarda), movimentação e atendimento dos pedidos pelo armazém. Podemos também ter um olhar mais estratégico, onde o armazém passa a ser o elo de ligação com o canal de distribuição e por isso passa a ter papel fundamental no atendimento (em termos geográficos) aos clientes.

 

Atualmente, percebo que a função de armazenagem passa a ter cada vez mais um papel estratégico, visto que é de grande importância para a competitividade de uma organização, já que hoje pensamos em disponibilizar o produto de forma mais rápida para o cliente, e deslocar o estoque para próximo dele pode ser uma das alternativas a serem consideradas no desenho logístico.

 

Vale destacar que ao pensarmos na administração dos espaços é importante analisarmos questões como:

  • Na definição da localização, precisamos identificar onde estão as principais fontes de fornecimento e os principais pontos consumidores, além de identificar os custos de aquisição / locação de imóvel, bem como as questões tributárias;

  • No dimensionamento da área, é importante avaliarmos as demandas futuras, pois ingressar em um armazém e mudar no ano seguinte por falta de espaço gera transtornos e custos; No momento do dimensionamento do armazém é preciso avaliar o fluxo de materiais (layout) e ainda validar área de estocagem e áreas de apoio (recebimento, separação e expedição), pois a não observação deste aspecto poderá gerar gargalos operacionais.

 

2- Manuseio de materiais

Refere-se à movimentação dos produtos no local de armazenagem e compreende desde o processo de recebimento do item, incluindo a sua movimentação interna dentro do armazém até a o momento de saída deste (expedição).

 

Vale destacar que movimentação gera custo, logo é importante realizar a menor quantidade de movimentações possíveis, ou seja, um item deve entrar ser guardado e sair de um armazém com a menor quantidade de movimentações possíveis. Para que isso ocorra, é importante observamos alguns pontos:

  • Procure sempre incurtar as distâncias, ou seja, se o item é da curva “A” em termos de movimentação, procure colocá-lo em áreas de armazenagem próximas ao recebimento e expedição do mesmo;

  • Procure unitizar as quantidades movimentadas, ou seja, ao deslocar um item dentro do armazém, procure fazer isto em quantidades maiores (por exemplo palletizado, caixas unitizadoras)

  • Procure melhorar o fluxo, use sistemas informatizados que possibilitem a escolha dos melhores percursos dentro de um armazém;

 

3- Embalagem de proteção

O desenvolvimento de uma boa embalagem (sob o ponto de vista logístico) deve buscar:

  • Que os produtos sejam movimentados sem quebras e avarias;

  • Que as atividades de armazenagem e transporte sejam otimizadas, ou seja, ela deve buscar a ocupação máxima do espaço (m3);

  • Que as atividades de manuseio sejam facilitadas, através da observação de aspectos relacionados a ergomia (peso, tamanho e condições para que uma pessoa movimente-a). Quando a mesma necessitar ser movimentada por equipamentos, que a embalagem ofereça condições para acoplamento destes equipamentos.

 

4- Obtenção

A atividade de obtenção tem papel fundamental na logística, por ter grande representatividade no quesito de custos visto que se esta atividade não funcionar bem poderemos ter um aumento expressivo no custo de aquisição o que poderá representar redução imediata da margem, ou caso a aquisição seja realizada em quantidades superiores as necessárias, teremos um aumento do custo de estoque.

 

Ela é também essencial na manutenção dos níveis de serviço ao cliente, pois a demora ou a impossibilidade de aquisição de um item poderá gerar uma ruptura no estoque que causará o não atendimento do cliente no momento desejado.

 

Em linhas gerais podemos dizer que a atividade de obtenção tem como grande missão planejar e programar as quantidades a adquirir, selecionar as fontes de suprimentos adequadas quanto as condições comerciais, qualidade e prazo de entrega, fazer o acompanhamento da entrega do que foi adquirido e sistematicamente avaliar os processos de previsão, avaliar os fornecedores e os critérios de aquisição.

 

Vale ainda destacar que no serviço provado esta atividade (aquisição) é regida por normas e procedimentos que visam assegurar o atendimento de premissas definidas pela empresa. Já no serviço público, faz-se necessário a observação das normas internas e também da lei de licitações.

 

5– Programação de Produto

Para podermos acionar as atividades de produção/aquisição é necessário um planejamento prévio das quantidades a comprar / produzir. Na indústria, o PCP – planejamento e controle da produção analisa para cada produto, a previsão de demanda do mercado, as quantidades disponíveis em estoque, a capacidade produtiva instalada e disponível (se for produzir) e o lote mínimo de produção/compra. Com base na análise destas variáveis, é definida a quantidade a produzir/comprar.

 

Se o item for produzido internamente, é necessário ainda identificar a quantidade de matéria prima necessária para produção, e neste sentido é feita a análise da quantidade disponível em estoque e gerada, se necessária a ordem de compra.

 

Normalmente, os processos mencionados acima são conhecidos como MRP – Material Requirement Planning e são gerados via sistemas informatizados.

 

6- Manutenção de Informações

Ter informações para o auxilio na tomada de decisão é essencial para o profissional de logística. Neste sentido é imprescindível reunir informações (preferencialmente em base de dados integradas) sobre clientes, concorrentes, volumes de vendas, níveis de estoque, custos relacionados a cada atividade (armazenagem, transporte, processamento de pedidos …).

 

O uso de tecnologia de informação é cada vez mais ligado a atividade logística, por isso, profissionais que atuam nesta área precisam estar atentos as ferramentas que auxiliem-os no processo de análise e tomada de decisão.

 

Hélio MEIRIM  é CEO da HRM Logística Consultora & Treinamento, tendo atuado, por mais de 20 anos, no Brasil e no exterior, em cargos executivos de empresas nacionais e multinacionais nos segmentos de Operadores Logísticos, Transportadores, Varejo, E-Commerce, Indústria Farmacêutica, Alimentícia, Siderúrgica, Química e Agrobusiness. Mestre em Administração, coordena a Comissão Especial de Logística do CRA–RJ, é professor, escritor e palestrante. Por dois anos recebeu a moção honrosa por serviços relevantes prestados à profissão de Administrador, concedida pela ALERJ – Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

 

(*) Texto publicado originalmente no blog hrmlogistica.wordpress.com

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