[ Entrevista ] Hélio Meirim fala sobre logística para grandes eventos e mobilidade urbana

14.03.2017

 

Compartilho a entrevista que tive a oportunidade de conceder ao Portal e Revista Painel Logístico, um renomado canal de conteúdo sobre logística.

 

Para falar sobre a logística dos grandes eventos, mobilidade urbana no Rio de Janeiro e sobre sua participação como um dos conferencistas da RMC 2017 entrevistamos Hélio Meirim, mestre em administração e desenvolvimento empresarial, professor, palestrante, CEO da HRM Logística Consultoria e Treinamento e Coordenador da comissão de logística do CRA – RJ.

 

Ao planejar um grande evento é preciso pensar a logística de forma integrada e levar em consideração questões relacionadas ao fluxo das pessoas, aos equipamentos, aos insumos (produtos a consumir) e também as informações, afirma Helio Meirim nesta entrevista para o portal e Revista Painel Logístico. “Questões relacionadas a mobilidade urbana são cada vez mais importantes para a cidade e para o cidadão e, quando falamos de um evento isso tem uma grande relevância.”, acrescenta Meirim, um dos conferencistas do Rio Musical Conference 2017.

 

 

O Rio de Janeiro é uma cidade preparada para receber eventos de grande porte?

 

Meirim: A cidade do Rio vem tendo a oportunidade de realizar grandes eventos. Nos últimos anos, tivemos a realização dos Jogos Panamericanos, Rio +20, Jornada Mundial da Juventude, Rock in Rio, Copa das Confederações, Olimpíadas, Jogos Paralímpicos, Shows, Festivais além dos já tradicionais eventos de Carnaval e Reveillon.

 

Estes eventos, mobilizaram um grande número de pessoas e, necessitaram de um planejamento cuidadoso relacionado a: infraestrutura do local de realização do evento, transporte, hospedagem, suprimentos entre outras.

 

Atender as expectativas dos organizadores, patrocinadores, fornecedores, autoridades, comunidade do entorno (vizinhos), comerciantes e do grande número de pessoas que participa deste evento é uma tarefa desafiadora.

 

Mas, percebo que, a cada grande evento realizado na cidade, tem havido um processo de melhoria contínua no planejamento e realização dos mesmos.

 
Até que ponto a “mobilidade urbana” carioca ajuda ou atrapalha os projetos logísticos para a realização destes eventos?

 

Meirim: Entendo que as questões relacionadas a “mobilidade urbana” são decisivas para o sucesso de um evento, pois as atrações do evento podem ser excelentes, mas se o público não dispor de meios de transporte para chegar e sair do evento de forma rápida, confortável e segura, ele poderá desistir de ir ao evento.

 

Neste sentido, tenho observado que os grandes eventos da cidade estão sendo planejados e realizados em alguns locais específicos e, as autoridades tem buscado aprimorar e, ampliar a oferta de transporte público para o deslocamento das pessoas chegarem e saírem dos eventos. Somam-se a esta oferta de transporte público, questões relacionadas a esquemas de segurança, restrição de circulação de veículos entre outros (isto é claro dependendo da característica e do tamanho do evento).

 
O Rio de janeiro é uma das cidades mais congestionadas do brasil. Até que ponto isto influencia no momento de executar um projeto logístico de um grande evento?

 

Meirim: Infelizmente, a redução dos congestionamentos é um dos grandes desafios enfrentados pela cidade do Rio, bem como, por muitas das grandes cidades de nosso país e do mundo.

 

Com certeza, este é um dos fatores que precisa ser levado em consideração quando da realização de um grande evento na cidade e, pode influenciar o resultado do mesmo. Avaliar o calendário (para não coincidir com outros eventos), o local e o horário de realização do evento, bem como buscar integração com a esfera pública e privada são aspectos que precisam ser levados em consideração quando da elaboração do projeto logístico de um grande evento, procurando assim mitigar os impactos dos congestionamentos.

 
No Rio de janeiro já foram implementadas a ampliação da linha de metrô, os BRTs… É o suficiente?

 

Meirim: Nos últimos anos, temos acompanhado a ampliação de alguns trechos cobertos pelos modais de transporte público, o que auxilia no deslocamento das pessoas, melhorando a mobilidade urbana. Entretanto, devido ao tamanho da população (crescente), a capilaridade dos modais de grandes massas e, a dispersão geográfica dos polos de emprego e moradia, ainda temos um bom caminho a percorrer.

 

Planejar a malha viária (pessoas e cargas) de uma cidade é uma atividade essencial e demanda estudos técnicos bem detalhados. Estudar, entender e sugerir mudanças nos fluxos, aumentar a capilaridade e a integração (física e econômica) dos diversos modais (ônibus, trem, metrô, barcas, BRTs, VLTs) são ações que possibilitarão avançar nas questões de mobilidade urbana de nossa cidade.

 
Que alternativas poderiam ser propostas, na sua opinião, a médio e longo prazo para melhorar a situação do sistema de mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras?

 

Meirim: Reflexões sobre propostas relacionadas a mobilidade urbana ganham espaço em grandes cidades de todo o mundo. Algumas cidades já implementaram ações eficazes, outras recorrem a soluções paliativas. Penso que para avançarmos nas alternativas relacionadas a melhoria da mobilidade urbana, precisamos ampliar nossa reflexão sobre três atores: poder público, empresas e população.

  • Poder público ofertando transporte de qualidade (segurança, conforto, horários aderentes a demanda e pontualidade), capilaridade e com modais integrados física e financeiramente (por exemplo ônibus, barcas, metrô, trem com estações e tarifas integradas). Existe ainda a questão dos polos econômicos (onde estão as empresas empregadoras) que estão concentrados em alguns pontos da cidade e que, normalmente estão longe dos locais onde as pessoas vivem, gerando assim deslocamentos frequentes entre residência e local de trabalho.

  • Empresas que precisam refletir sobre alguns paradigmas como os relacionados aos horários de trabalho fixos (08h-17h ou 09h-18h) e as operações de coletas e entregas noturnas por exemplo.

  • População que precisa ter consciência sobre visão coletiva, ou seja, se eu impedir o cruzamento, ou estacionar em fila dupla, por exemplo, estarei gerando transtornos para um grande grupo de pessoas, que terão a sua mobilidade afetada.

Estes atores, precisam atuar em conjunto, no desenvolvimento do plano logístico da cidade, buscando assim conciliar as principais demandas do poder público, das empresas e da população que vive na cidade.

 
As tecnologias atuais podem contribuir para a melhoria da mobilidade urbana? Poderia citar exemplos?

 

Meirim: A tecnologia é uma grande aliada da logística e, no que se refere a mobilidade urbana ela vem se transformando em uma ferramenta indispensável, pois o uso da INFORMAÇÂO é fundamental neste processo.

 

O uso da tecnologia, pode prover informações em tempo real, sobre as condições de trânsito auxiliando motoristas e veículos de emergência (ambulância, polícia e bombeiros) a buscarem alternativas de itinerários por exemplo.

 

As empresas podem acompanhar a ocupação dos veículos e, com base nestas informações, podem redimensionar a quantidade ou o intervalo de tempo de intervalo para atender a demanda.

Temos também a possibilidade do uso da geolocalização (GPS) para disponibilizar informações em tempo real, sobre o horário de chegada de um determinado meio de transporte no ponto em que este usuário se encontra., possibilitando assim o planejamento deste usuário com relação aos seus deslocamentos.

 

Temos diversos aplicativos que nos possibilitam saber qual meio de transporte utilizar para se deslocar de um ponto a outro da cidade, tempo estimado do percurso e, neste momento, estamos vendo o uso, cada vez mais intensivo, de aplicativos, para escolha do veículo que usaremos para nosso deslocamento. Estes aplicativos nos possibilitam identificar os veículos que estão mais próximos, o tipo do veículo e, a condição tarifária mais acessível. Após o uso, ainda contamos com relatórios eletrônicos que nos possibilitam gerenciar, com bastante transparência, o uso que fizemos.

 

Sobre sua participação na Rio Music Conference, o que o evento trouxe de novidade para a percepção sobre como fazer a logística de grandes eventos no Rio de Janeiro?

 

Meirim: O Rio Musical Conference (RMC), contou com mais de 100 atividades entre painéis, workshops e ambientes para networking, e foi montado cuidadosamente por uma equipe de curadores com vasta experiência no universo da economia criativa, recebendo convidados com a missão de cobrir diversas áreas da indústria do entretenimento e tecnologia em painéis, discussões e workshops.

 

O evento ocorreu entre os dias 15 e 17 de Fevereiro e, atendendo a um convite da ASSENRIO – Associação de Entretenimento do Rio de Janeiro, fui um dos conferencistas sobre “Mobilidade Carioca”, que teve como objetivo abordar os aspectos relacionados a logística dos grandes eventos ocorridos no Rio de Janeiro.

 

Juntamente com outros convidados, pudemos compartilhar com o público presente as questões relacionadas a importância do planejamento cuidadoso de um evento, levando em consideração as questões logísticas relacionadas ao fluxo das pessoas, aos equipamentos, aos insumos (produtos a consumir) e também as informações.

 

Fiquei muito satisfeito em ver que a logística vem ganhando espaço no planejamento e execução dos grandes eventos.

 

Disponibilizar e incentivar o uso de transporte público é essencial e, tenho acompanhado que este é um dos pontos que tem tido uma grande evolução. Por isso, planejar e interagir com a esfera pública é muito importante.

 

Questões relacionadas a mobilidade urbana são cada vez mais importantes para a cidade e para o cidadão e, quando falamos de um evento isso tem uma grande relevância. Por isso, é importante que ao pensar em um evento tenhamos o PLE – Plano Logístico do Evento.

 

Vale ainda destacar que, problemas logísticos no evento, podem causar custos adicionais para os organizador e participantes e uma insatisfação que poderá enfraquecer toda a estratégia comercial do evento, desconstruindo grande parte da experiência que o evento se propôs a oferecer aos participantes.

 
Quais momentos o Sr destaca da sua participação no RMC 2017?

 

Meirim: Antes, durante de depois do evento, tive a oportunidade de aprender bastante com as pessoas que encontrei, com os materiais que li e com as palestras que assisti.

 

Como, os eventos mobilizam uma grande quantidade de pessoas, a cada evento notamos uma evolução nos cuidados com o planejamento logístico da movimentação das pessoas (chegada e saída do evento). Sabemos que ainda temos um grande caminho a percorrer, mas este é um aspecto que já vem sendo trabalhado pelos organizadores do evento junto as esferas públicas.

 

Entretanto, quando pensamos em um evento, precisamos ampliar a análise da dimensão logística do mesmo. Para o sucesso de um evento, não podemos esquecer que além da chegada e saída das pessoas, precisaremos levar equipamentos, insumos (para o bar) e muitas coisas necessárias para a mobilização e desmobilização do evento (logística reversa).

 

Por isso, procurei despertar nos presentes, a possibilidade de ampliar um pouco mais a reflexão sobre as questões relacionadas a logística integrada de um evento. Ou seja precisamos planejar o fluxo das pessoas, mas também o fluxo dos materiais (equipamentos, insumos para bares e restaurantes, logística reversa dos resíduos entre outros) e o fluxo das informações.

 

Infelizmente não é incomum, vermos um evento com excelente qualidade em suas atrações artísticas, em que as pessoas conseguiram chegar e sair do mesmo sem grandes problemas, mas que, antes do término do mesmo observou-se a falta de algum item servido no bar, ou as filas para aquisição são gigantes. Estes aspectos, trazem insatisfação aos participantes do evento gerando uma experiência negativa que impacta no evento como um todo.

 

É importante incluir no Plano Logístico do Evento (PLE), o horário e o fluxo de abastecimento dos bares, a chegada e o posicionamento dos banheiros químicos (caso sejam necessários) e, como os resíduos de todo o evento serão acondicionados, retirados do local e posteriormente tratados.

 

Outro ponto importante a considerar, no planejamento logístico do evento, são as questões relacionadas ao entorno do evento (locais próximos), pois a experiência de um evento começa mesmo antes da pessoa entrar no local do evento e, se no entorno do evento houver desabastecimento de produtos por exemplo, isto poderá trazer algum tipo de insatisfação as pessoas antes mesmo do início do evento.

 

Publicado originalmente em: http://www.painellogistico.com.br/entrevista-helio-meirim-fala-sobre-logistica-para-grandes-eventos-e-mobilidade-urbana/

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