Entrevista Meirim: Logística reversa para restaurantes

28.01.2015

Uma das mais novas ações relacionadas às questões da sustentabilidade no Brasil é o processo de logística reversa (LR). Introduzida à nossa legislação ambiental em 2010, mas que só passou a vigorar no ano passado, através da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a LR é um instrumento de desenvolvimento econômico e social, onde os materiais, anteriormente descartados, são reaproveitados, através de um amplo planejamento e controle de fluxo, que partem, diferentemente de outras ações, do ponto de consumo ao ponto de origem de sua produção.

 

Além de possibilitar o retorno de resíduos sólidos para as empresas de origem, evitando a possibilidade de poluição ou contaminação do meio ambiente (rios, mares, solo e florestas), a implantação da logística reversa também é de grande relevância para a economia, já que a reutilização desses materiais na cadeia produtiva diminui consideravelmente o consumo de matérias-primas.

 

De acordo com o especialista em logística reversa, Hélio Meirim, CEO da HRM logística consultora & treinamentos, os dois principais objetivos desse processo são recolocar os materiais no ciclo comercial e realizar o descarte de forma segura.

 

“Com base nessas informações, poderão ser estabelecidos os processos de acondicionar, manter e fazer a operação de transporte de retorno dos materiais, embalagens e resíduos para o ponto de origem adequado (quando estes puderem ser reaproveitados) ou, para o ponto de descarte adequado (quando os mesmos assim forem definidos)”, comentou Meirim.

 

Em empresas dos ramos alimentícios e gastronômicos, Meirim faz questão de ressaltar a importância do uso da logística reversa nos setores. No entanto, ele enfatiza alguns cuidados especiais antes de qualquer ação não planejada.

 

“É recomendável que o gestor do estabelecimento busque informações sobre os aspectos legais dos processos da logística reversa pertinente ao seu negócio. É importante que os restaurantes entendam os conceitos de todo o processo, tanto na questão ambiental, quanto na cadeia logística de seus produtos. Para isso, o ideal é buscar a orientação de profissionais qualificados que possam fazer um plano de ação”, argumentou Meirim, que elaborou algumas dicas para quem está pensando em aderir aos conceitos da logística reversa.

 

  • - Conheça a importância e os benefícios da LR em seu negócio;

  • - Conscientize sua equipe, fornecedores e clientes da importância da ação para o negócio e também para o meio ambiente;

  • - Identifique os aspectos legais (restrições), envolvidos na operação de retorno (descarte) dos materiais usados em sua operação diária;

  • - Identifique se há materiais que podem ser devolvidos ao fornecedor como forma de reduzir o custo do mesmo e, consequentemente, seu preço de compra;

  • - Identifique se existem materiais que, após seu uso, podem ser comercializados ou vendidos (caixas de papelão, latas de alumínio, garrafas, sobras de refeição…);

  • - Tenha um espaço segregado para o correto acondicionamento dos materiais, bem como recipientes identificados para armazenar os materiais que seguirão para a origem ou descarte;

  • - Após implementar todas as ações, mensure os resultados obtidos e divulgue-os para seus clientes, equipe, vizinhos, fornecedores e acionistas

 

Transforme a prática em rotina – O chef consultor da BRF Food Services, Leonardo Maciel afirma que os restaurantes, lanchonetes e demais estabelecimentos gastronômicos enfrentam diariamente um problema com a coleta de resíduos sólidos que podem ser reaproveitados.

 

“Poucas empresas, na maioria das vezes, as mais estruturadas, possuem alguma iniciativa interna para atuarem com o processo de logística reversa”, destaca. A pouca participação dos estabelecimentos, segundo Maciel, é intensificada pela falta de incentivo e dedicação das prefeituras.

Uma situação comum, apontada pelo consultor, é a contratação de empresas especializadas – e terceirizadas – para a coleta de lixo seletivo. “Quando chegamos em algum restaurante, difundimos os ideais de sustentabilidade em que acreditamos, e mostramos a importância de investir e participar dessas ações. Mas, sem o incentivo dos empresários, essas ideias não vão pra frente”, destacou.

 

Para concluir, Leonardo Maciel explicou que a logística reversa poderia ser uma constante no dia a dia dos gestores, mas o custo alto ainda os afasta. “Hoje existem algumas organizações tentando desenvolver essa cultura como a Green Kitchen, mas os gastos elevados, por conta de intervenções estruturais, fazem com que o projeto não seja levado adiante.

Faça a sua parte – Se tratando de uma ação social e voltada ao desenvolvimento sustentável de nosso meio ambiente, todos nós temos uma importante participação na logística reversa. Veja a função de cada setor no processo:

 

  • - Consumidores: devolver os produtos que não são mais usados em postos (locais) específicos.

  • - Comerciantes: instalar locais específicos para a coleta (devolução) destes produtos.

  • Indústrias: retirar esses produtos, através de um sistema de logística, reciclá-los e reutilizá-los.

  • - Governo: criar campanhas educacionais e de conscientização para os consumidores, além de fiscalizar a execução de todas as etapas da ação.

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Matéria publicada no site http://www.brf-foodservices.com.br/fique-por-dentro/logistica-reversa-para-restaurantes-uma-pratica-consciente-que-traz-grandes

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